
Mais um Fim-de-semana de excessos se passou. Excesso por ter sido prolongado, por ter trabalhado todos os dias e porque foram dias seguidos de borga! (não aguentava mais nenhum)
E numa tentativa de equilibrar o desequilíbrio do fim-de-semana, aceitei a algum custo uma ida ao cinema na Segunda-Feira! A custo por sentir que as energias ainda não estavam carregadas, que o sono ainda não estava em dia!
A companhia não poderia ter sido mais bem escolhida! Sempre de acordo com tudo, foi na escolha do cinema, do filme, aonde haveríamos de jantar! Um dava o mote e todos concordávamos!
Lá fomos nós rumo ao Arrábida. Após termos estacionado, todos acordamos que deveríamos comprar os bilhetes antes de nos sentarmos a deliciar com um jantar bem corrosivo! (Tudo a que teríamos direito, para esquecer o dito fim-de-semana de excessos)
Então era ver-nos a caminhar rumo ao Mc Donnalds e Casa das Sandes! Após a escolha dos menus, mais smsénnes trocadas, com o intuito de alargar o grupo! Sentamo-nos bem no meio da confusão, aonde poderíamos ver todos e passar um pouco despercebidos no meio da multidão, enquanto refastelados íamos devorando o tal manjar dos deuses!
Optamos por tomar café no varandim, pois podíamos fumar um cigarrito enquanto tentávamos aquecer as mãos nas chávenas do café. Estávamos calmamente a tomar o café, quando alguém resolveu apagar o cigarro atirarando-o para dentro do caixote do lixo. Aí apressamos em sair, não fossem acusar-nos de piromania.
Como ainda faltava algum tempo para a sessão iniciar, resolvemos ver algumas montras e houve até quem aproveitasse a ocasião para comprar umas meias! (já não me lembro se eram azuis ou pretas!)
Quando entramos na sala do cinema pudemos escolher os lugares aonde iríamos assistir à sessão. (senão fomos os primeiros, não andaríamos longe disso)
Decidimos visionar via dentes azul (para quem não sabe, Bluetooth) quem estaria ligado! A nossa conversa estava tão animada, entre ver quem estava online e fotos tiradas de noites passadas que os quinze minutos que estivemos à espera voaram a uma velocidade estonteante.
Fez-se o tão aclamado silêncio para podermos visionar o filme. Foram quase duas horas onde a atenção foi uma constante. O Fernando Meirelles conseguiu prender-nos ao grande ecrã, através do ritmo das imagens e da banda sonora, no qual assistíamos ao horror e violência de uma sociedade frágil onde o espírito humanista se torna imprescindível quando a sobrevivência é posta em questão! (Não li esta obra de Saramago, mas garanto-vos que me abriu o apetite)
Enquanto saíamos, no final da sessão, ficou a sensação que soube a pouco. (Pelo menos eu senti)
Precisei de alguns instantes para poder digerir toda a informação processada durante o filme! Gostei imenso e recomendo, deixo-vos aqui uns excertos que descobri na net, de algumas passagens do livro.
"-Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira! Isto é diferente! Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos.
-Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego.
-Acredito, mas não preciso, cego já estou!
-Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses!
-Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam."
"-Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão,
-Queres que te diga o que penso,
-Diz,
-Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem"
In Ensaio Sobre a Cegueira